terça-feira, 20 de maio de 2014

Da FMTM à UFTM – Uma transição incompleta mas necessária

Wagner da Silva Teixeira
Coordenador do Curso de História (UFTM)

Amanhã a Universidade Federal do Triângulo Mineiro escolherá seu próximo reitor. Pela primeira vez em sua história, iniciada com a criação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro em 1953, seu dirigente máximo não será um médico. Algo de um simbolismo muito forte, em se tratando de uma instituição de ensino superior federal com mais de sessenta anos e que surgiu a partir do curso de Medicina. O grande desafio da próxima gestão será a de consolidar a UFTM como uma universidade, conseguir efetivamente realizar a transição da FMTM à UFTM.

Este processo teve início no contexto de expansão das universidades federais, colocada em prática a partir do primeiro governo Lula, em 2005. Até então, a FMTM oferecia três cursos voltados para a área da saúde (Medicina, Enfermagem e Biomedicina). Em 2006 foram abertos mais três cursos da área de saúde (Fisioterapia, Nutrição e Terapia Ocupacional) e os primeiros fora desta área (Letras e Psicologia). Encerrava-se ali um ciclo, o da FMTM e iniciava-se ali um outro, o da UFTM.

A implantação do Reuni (Plano de Reestruturação e Expansão das  Universidades Federais) e a adesão da UFTM ao plano, permitiu a continuidade do processo de crescimento da universidade. No primeiro semestre de 2009 foram abertos os cursos de licenciatura (Ciências Biológicas, Física, Geografia, História, Matemática e Química) e os bacharelados em Serviço Social e Educação Física. Em 2010 foram implantados os cursos de Engenharia (Alimentos, Ambiental, Civil, Elétrica, Mecânica, Produção e Química).

Todo este processo de crescimento; que pode efetivamente ser demonstrado em gráficos e tabelas que apresentam o aumento do número de cursos, de professores, de alunos e de servidores técnico-administrativos; não foi precedido, nem acompanhado de um planejamento  que pensasse como cada curso seria implementado. Como a nova universidade deveria crescer de forma a garantir a todos os cursos, mais antigos, recentes e recém criados um desenvolvimento mais equânime. Não adianta argumentar que tudo foi muito rápido. De 2005 para cá são quase uma década. Tempo suficiente para pensar, planejar e implementar com mais cuidado o processo de expansão da universidade. Existem na UFTM vários problemas, a ausência de um modelo de gestão para a universidade, a inoperância de algumas pró-reitorias e a falta de autonomia dos institutos são alguns dos principais.

A falta de um modelo de gestão é o mais urgente, para se conseguir alguma coisa, qualquer coisa, o único caminho é pedir diretamente ao reitor, não adianta conversar com Pró-reitores, não adianta enviar memorandos, não adianta procurar os diretores de instituto. A centralização das decisões, das verbas e do funcionamento da universidade são as únicas formas utilizadas pela atual gestão. Talvez isso funcionasse na antiga FMTM, afinal eram apenas três cursos, uma estrutura burocrática menor. Mas mesmo para ela essa prática era danosa. Sabemos hoje que muitas vozes dissonantes tentaram modificar o funcionamento da antiga Faculdade de Medicina. Sua história foi muito marcada por inúmeros conflitos, disputas e crises políticas.

Outro problema sério nos últimos anos foi a inoperância de algumas Pró-Reitorias. Paralisadas no tempo, mesmo sendo fundamentais para o desenvolvimento e o crescimento da universidade. Na FMTM esse tipo de prática, ou melhor, de ausência de prática prejudicava os cursos de Medicina, Enfermagem e Biomedicina. O que diremos agora, com quase trinta cursos de graduação. As que funcionam, a fazem de forma precária, sem estrutura adequada e dentro do modelo de gestão extremamente centralizado. Essa fórmula chegou ao fim, se esgotou. Precisamos avançar. Precisamos que todas as Pró-Reitorias se dediquem efetivamente a construir a universidade.

Por sua vez, os institutos criados em 2010, são outro exemplo da má condução administrativa da instituição. Não tem autonomia administrativa, tão pouco, financeira. Os institutos são, na prática, um ajuntamento de professores, cursos e departamentos. Hoje, apenas as verbas para diárias e passagens vão para os institutos. Essa verba além de insuficiente para atender à demanda, tem que ser solicitadas, por memorandos, ao reitor. Não ao diretor do instituto ou a um dos pró-reitores. Sem falar que temos um formulário próprio de requisição, mas a centralização é a norma na UFTM. Os institutos têm de ter uma autonomia real. Isso irá fortalecê-los, para que estes cumpram sua missão, prover os cursos e departamentos para que se desenvolvam.

Outras questões graves afligem a nossa instituição, entre elas, a situação dramática do Complexo Hospitalar, onde falta também um modelo de gestão, as condições de trabalho, ensino e pesquisa são precárias, não há um diálogo franco e aberto com a comunidade hospitalar. Na universidade como um todo faltam professores, técnicos-administrativos e estrutura física; a normatização da carga horária de trabalho dos professores nunca foi feita; há problemas no organograma e nos regulamentos da universidade; ocorrem atrasos no repasse dos auxílios da assistência estudantil; há um aumento gradativo das funções dos coordenadores de curso. Por fim, não há uma política cultural para a universidade e o preço do RU, recém inaugurado, já é um problema.

São muitos os desafios, por isso, defendemos uma mudança já! Uma alteração profunda na gestão da universidade, ela deve ser democrática, descentralizada e eficiente. As pró-Reitorias devem ser instrumentos de ação efetiva na construção de uma universidade de qualidade. Quanto mais autônomos forem os institutos, mais fortes serão os cursos e os departamentos. Estamos chegando na hora da decisão. Que universidade queremos? O continuísmo da centralização e da ineficiência? Ou iremos consolidar esta universidade, completar a transição necessária da faculdade para universidade. Unir a tradição de pesquisa e compromisso histórico dos cursos oriundos da FMTM, com a força e a disposição dos cursos novos da UFTM, potencializando e liberando a energia criativa e realizadora de todos, com organização, dedicação e autonomia.

Dia 21, vote chapa 1. Vote para mudar. A Esperança somos todos nós. A UFTM Somos Todos Nós. Fábio Reitor e Laura Vice.

Carta aos Técnicos-Administrativos

Caros colegas Técnicos-Administrativos,

Estamos vivendo um momento muito importante para a história da UFTM e, consequentemente, para nossa própria história! Faltam apenas alguns dias para a consulta que definirá a gestão da universidade pelos próximos quatro anos e entendemos que, diante de propostas tão distintas, precisamos conhecer profundamente os caminhos que se apresentam, a fim de exercermos nossa cidadania de forma crítica e consciente! Assim, gostaríamos de apresentar a você nossas propostas para o segmento Técnico-Administrativo.

Reconhecemos o quanto o trabalho dos Técnicos-Administrativos é essencial para o desenvolvimento da universidade em todos os seus âmbitos, seja no ensino, na pesquisa ou na extensão, por isso, temos propostas sérias que visam valorizar e melhorar a qualidade de vida no trabalho para esse segmento. A partir de um estudo mais aprofundado acerca da realidade de nossa instituição, pudemos constatar que em alguns setores os técnicos-Administrativos não têm tido condições adequadas de trabalho. A falta de estrutura física, a escassez de material de trabalho, a sobrecarga de tarefas e a falta de dimensionamento de pessoal têm sido elementos marcantes no dia a dia dos Técnicos-Administrativos dessa instituição, sem falar da reivindicação pela flexibilização da carga horária que, até o presente momento, não foi estudada com carinho pela gestão.

 A redução da carga horária para 30 horas é um compromisso que assumimos com o segmento Técnico-Administrativo, por entendermos que podemos sim, com responsabilidade, atender a essa reivindicação que vem ao encontro do princípio da eficiência no serviço público, além de possibilitar maior qualidade de vida e tempo disponível para a própria formação continuada. Para a implantação das 30 horas temos buscado informações em universidades que já realizaram a flexibilização, em decisões judiciais e pareceres de desembargadores que se mostraram favoráveis à redução de carga horária.

Atualmente, algumas universidades já adotaram a redução da carga horária para 30 horas, provando que há caminhos para que isso seja possível também na nossa universidade! Temos consciência de que o trabalho não pode parar e que a sua qualidade precisa ser garantida, por isso, propomos mapear a formação e a localização dos Técnicos-Administrativos, a fim de realizarmos, de forma transparente e democrática, o dimensionamento de pessoal, colocando fim aos desvios de função, quando isso se fizer necessário.

Aprimorando as ferramentas de trabalho, dando condições para o desenvolvimento do suporte de informática e implantando a rede de internet em todos os campi da universidade, poderemos reduzir o tempo gasto na busca e no tratamento de informações institucionais, permitindo que alguns setores ganhem agilidade em seus processos de trabalho. Assim, objetivamente, propomos constituir uma comissão para implementar as 30 horas já!

Em nossas propostas, buscamos ainda contemplar os anseios dos Técnicos-Administrativos no que diz respeito à sua formação profissional, entendendo que um dos maiores desafios de um gestor é integrar as aspirações individuais dos servidores às necessidades da própria instituição. O sentimento de pertencimento e valorização no ambiente de trabalho contribui para que os servidores trabalhem mais felizes, adoeçam menos e não percam o entusiasmo com suas atividades.

Compreendemos que investir na formação dos Técnicos-Administrativos contribui para o fortalecimento da autonomia, do pensamento crítico e promove a construção de conhecimentos importantes para o desenvolvimento de seu trabalho e da instituição. Nesse sentido, propomos promover, ampliar e consolidar os programas de formação já existentes, por meio de um Plano de Capacitação e Qualificação de Técnicos-Administrativos, além de viabilizar, em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, programas Minter (Mestrado Interinstitucional) e Dinter (Doutorado Interinstitucional), para que os servidores possam realizar sua formação na própria universidade.

Outro aspecto contemplado em nossa proposta, diz respeito à necessidade de viabilizarmos a participação de nossos Técnicos-Administrativos em cursos e eventos, inclusive em outras cidades, por meio da disponibilização de recursos via diárias e passagens.

Sabemos que esse processo não vem sendo realizado com a transparência e a publicidade necessárias, por isso, intentamos reorganizar os processos para concessão de diárias, a fim de fazer valer o direito à formação dos Técnicos-Administrativos de todos os setores da UFTM. Reconhecemos que os recursos ainda não são suficientes para atender a todos, mas nosso compromisso é pela sua ampliação e seu uso de forma democrática, justa, transparente e cada vez menos centralizada e burocrática.

Por respeito, dignidade e condições de trabalho!

A UFTM Somos Todos Nós!

Chapa 1 – UFTM SOMOS TODOS NÓS
Fábio Reitor e Laura Vice-reitora.

Uberaba, 19 de maio de 2014.

Encerramento do último debate - A ESPERANÇA SOMOS TODOS NÓS!

Carta aos discentes

A UFTM se encontra em um importante processo eleitoral para a sucessão da reitoria e é impossível nós, discentes, não nos envolvermos nessa disputa, uma vez que estão propostos dois projetos de administração universitária claramente opostos e que poderão determinar nosso futuro acadêmico. Viemos, portanto, dialogar com nossos colegas sobre a realidade que enfrentamos hoje no contexto da educação pública brasileira e da nossa Universidade, além de apresentar as propostas que defendemos para a mudança desse quadro.

De acordo com o antropólogo Darcy Ribeiro, “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto” e podemos atestar essa afirmação no nosso dia-a-dia, por meio da falta de professores e políticas de permanência estudantil adequadas, da infra-estrutura insuficiente, do sub financiamento e do sub dimensionamento dos cursos. O processo de expansão das Universidades, REUNI, agravou sensivelmente esses problemas e trouxe outros consigo, devido à abertura de novos cursos sem nenhuma estrutura básica. É importante ressaltar, porém, que não somos contra a expansão da Universidade pública, pelo contrário. Defendemos o direito de acesso de todos ao ensino superior, mas lutamos para que essa expansão se faça de forma responsável, com qualidade, pois de outra maneira serve apenas como propaganda vazia. 

Hoje na UFTM temos um deficit de mais de 160 vagas de docentes e que atinge a todos os cursos. O resultado disso são professores com carga horária excessiva, sem tempo para se dedicar à pesquisa e extensão, matérias e estágios suspensos e inclusive o risco de paralisação dos cursos em situação mais grave. Mesmo com esses problemas, a atual reitoria pactuou, a mais de um ano, um acordo de expansão da Universidade para as cidades de Araxá e Iturama, com a abertura de 35 vagas docentes para esses campi fantasmas, que não têm a mínima condição de funcionamento.  É urgente o redimensionamento do número de professores por estudantes, com a revisão das planilhas da Universidade (comprovadamente ineficientes), atuação política da reitoria, junto ao MEC, para a abertura de mais vagas para docentes, criação de critérios institucionais sólidos para a distribuição destas e discussão ampla sobre a expansão para outras cidades.

Não adianta, porém, um maior número de professores se não houver por parte da administração da Universidade o compromisso com as políticas de permanência estudantil e se antes esse tema já deveria receber máxima dedicação dos gestores, essa demanda foi potencializada com a adesão ao SISU e às cotas. Moradia, alimentação, transporte, entre outras, são necessidades básicas de qualquer estudante para poder desenvolver com qualidade suas atividades acadêmicas, pois a Assistência Estudantil é uma política de Ensino sim! Hoje o que temos aqui é um programa ineficiente de auxílios, que além de insuficientes, atrasam todo mês. Não há transporte intercampi e quem estuda no campus da Univerdecidade é obrigado a utilizar o sistema público de transporte coletivo da cidade, com ônibus geralmente lotados e sem flexibilidade de horários. Depois de anos de espera e atrasos, recentemente foi inaugurado o Restaurante Universitário deste campus e já ocupamos posição de destaque: é o mais caro do país, com preço de R$ 5,85 por refeição! Defendemos, portanto, por meio de pleito junto ao Governo Federal e realização de convênios federais a aquisição de mais recursos para a construção de moradia estudantil, implementação de transporte gratuito intercampi, construção da creche universitária, aquisição de subsídios para diminuição do preço das refeições do RU, mais incentivos para o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas.

A infra-estrutura da Universidade é outro ponto preocupante em Uberaba. Ainda hoje não contamos com a implementação de um Plano Diretor, que oriente as construções e que permita o máximo aproveitamento dos recursos financeiros para as mesmas. Espaço insuficiente para o desenvolvimento de diversas atividades, falta de laboratórios e salas de aula, alagamentos, infiltrações, são os frutos desse descaso e os motivos por que lutamos pela construção de um Plano Diretor democrático, que conte com a participação ampla de todos os segmentos da comunidade acadêmica.

De fato, são muitos os problemas vivenciados por nós hoje e grande parte deles vêm de uma gestão centralizada, autoritária, excludente. Quando a gestão dos recursos universitários não é amplamente debatida com a comunidade, a divisão dos mesmos não se baseia nas necessidades coletivas, mas nos interesses particulares de alguns grupos. É um absurdo, por exemplo, que um professor gaste em uma viagem o mesmo valor que é destinado a um instituto o ano inteiro para apoio às viagens científicas acadêmicas dos estudantes. Nossa proposta é a implementação do orçamento participativo na UFTM, com descentralização dos recursos e mais autonomia financeira para os institutos e maior transparência na prestação de contas da Universidade.

Entendemos, por fim, que para atingirmos tantos objetivos a UFTM necessita urgentemente de mudanças no modelo de gestão. Não enxergamos a atual reitoria como representante das nossas demandas frente ao Governo Federal, mas ao contrário. É uma gestão autoritária, que compactua com esse projeto de precarização da educação pública, de formação de profissionais voltados exclusivamente a atender as demandas de mercado, sem o compromisso com o importante papel da Universidade pública de formar seres humanos críticos capazes de atuar nas contradições sociais que a sociedade apresenta a fim de transformá-la. Diante de reivindicações históricas do movimento estudantil, esta mesma gestão preferiu a judicialização e criminalização dos estudantes ao diálogo, processando diversos acadêmicos por lutarem por melhores condições de permanência na Universidade. Aproveitamos para esclarecer que o Movimento Estudantil, tanto da UFTM, como brasileiro, é autônomo, tem sua própria história, e ao contrário do que tem sido veiculado pelos meios de comunicação, não se submete à tutela de nenhum grupo político. A ideia de que os estudantes não conseguem se organizar de forma independente coloca em suspeita a própria capacidade da Universidade de formar seus discentes com qualidade.

O desrespeito à soberania e à autonomia do Conselho Universitário também se mostrou uma constante nos últimos anos e pode ser exemplificado pela forma como ocorreu a assinatura do contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que privatizou a gestão do nosso Hospital de Clínicas sem nenhum tipo de debate dentro do CONSU.

As dificuldades não se restringem apenas aos cursos de graduação. Todos os pontos levantados até aqui são compartilhados pelos estudantes do CEFORES e da pós-graduação também. Nesse sentido, entendemos como fundamental a maior valorização desses espaços de formação. Ao CEFORES propomos, entre outros planos, a autonomia orçamentária e administrativa, além da regulamentação e implementação do seu regimento próprio e a sua inserção na construção do Plano Diretor.  Também propomos ampliar o apoio ao desenvolvimento dos programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu existentes e incentivar e auxiliar a criação de novos Programas de Mestrado e Doutorado Acadêmicos, buscando atender não só os Requisitos Gerais (Portaria nº 193/2011) como também os Critérios e os Parâmetros Específicos das Áreas de Avaliação (descritos nos documentos do site da CAPES);
São muitos os motivos que nos mobiliza a defender o rompimento com o continuísmo dessa gestão que não nos respeita e não nos representa enquanto comunidade universitária. Buscamos um novo caminho.  
Enquanto Chapa 1, UFTM SOMOS TODOS NÓS, construímos um programa democrático, com a participação de mais de 150 pessoas de todos os segmentos e áreas dentro da UFTM. Com base em um amplo estudo, foram diagnosticados os principais problemas da Universidade hoje, o que nos norteou na elaboração destas propostas concretas, voltadas antes de tudo para a descentralização, a transparência, a democratização e a valorização da diversidade em nossa instituição.

Acreditamos na candidatura do professor Fábio e da professora Laura como a união de todas as vozes e sonhos que ecoam nos corredores da UFTM, ansiosos por mudanças que possibilitem o desenvolvimento das potencialidades humanas, objetivo primordial de uma Universidade. Convidamos vocês para realizar esse projeto com a gente! 

Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. 
E examinai, sobretudo, o que parece habitual. 
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht

Uberaba, 19 de maio de 2014.

Debate entre as chapas concorrentes à reitoria da UFTM - Comunidade Universitária (15/05/2014)

Carta aos trabalhadores do Complexo Hospitalar

Caras e Caros Profissionais da Saúde da UFTM, da FUNEPU e da EBSERH,

O Complexo Hospitalar não é somente uma estrutura física e tecnológica. Toda estrutura física e tecnológica é, antes de tudo, humana, pois ela só tem sentido enquanto estrutura que está a serviço dos seres humanos. Ela é pensada, concebida, reorganizada e reestruturada humanamente. Ou seja, uma estrutura física e tecnológica de um Complexo Hospitalar só tem sentido e eficiência se pensada, planejada e discutida com todos os profissionais da saúde envolvidos diretamente no trabalho diário deste Complexo. Os discentes de graduação e de pós-graduação de todos os cursos que desenvolvem ações e estágios no Complexo Hospitalar devem também ser envolvidos nos processos de sua construção e reconstrução, uma vez que o Ensino, a Pesquisa, a Extensão e a Assistência são o sentido e os fundamentos básicos para a existência desse Complexo.

O Complexo Hospitalar da UFTM é uma coletividade que envolve centenas de seres humanos, de pessoas, de trabalhadores que se dedicam e doam suas vidas diuturnamente a atividades e a missões de grande importância e impacto na vida de milhares de famílias.

Nas atividades de um Complexo Hospitalar é fundamental que tenhamos qualidade e sentido nas estruturas físicas; no fluxo de pessoas e de informações; no planejamento e na prevenção; nas tecnologias e nas formas de comunicação; nas condições de trabalho, que devem se pautar pelo respeito e pela dignidade, por relacionamentos interpessoais saudáveis, por ações de gestores e líderes capazes de respeitar e desenvolver as pessoas ao invés de controlá-las ou coagi-las.

Também são necessárias estruturas físicas e de trabalho adequadas à presença e à qualidade de vida dos profissionais, como as dos laboratórios, almoxarifado, setor de licitação e compras, banheiros, áreas de convívio e de conforto para todos os profissionais e discentes da graduação e da pós-graduação, entre outras.

Por sua vez, as tecnologias da informação constituem uma estrutura crucial e estratégica para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade e de eficiência, pois a precariedade das mesmas, aliada à burocracia, joga contra o princípio da eficiência na administração pública, além de provocar insatisfação e estresse entre os trabalhadores, aumentando os riscos de erros no tratamento dos pacientes.

Portanto, a valorização, a motivação e a qualidade de vida dos profissionais da saúde são condições imprescindíveis para um atendimento e um acolhimento, verdadeiramente humanizado e de qualidade, dos pacientes e familiares de 27 cidades que diariamente frequentam o Complexo Hospitalar da UFTM.

Nesse sentido, a Chapa 1, Fábio - Reitor e Laura - Vice, tem propostas sérias, responsáveis, relevantes, viáveis e aplicáveis ao Complexo Hospitalar da UFTM:

1) Dialogar e debater com transparência os muitos e grandes problemas vivenciados pelos profissionais da UFTM, da FUNEPU e da EBSERH no Complexo Hospitalar da UFTM;
2) Dialogar e construir com o MEC e com a Direção da EBSERH em Brasília um planejamento sério e respeitoso que envolva os profissionais da UFTM, da FUNEPU e da EBSERH no que diz respeito a relações e condições de trabalho, empregabilidade, motivação, esperança e sentido existencial para todos;
3) Pautados pela Democracia, Transparência, Descentralização e Diversidade, estruturar uma Equipe de Gestores, que, além da competência técnica e profissional, tenham as seguintes qualidades de liderança: sensibilidade, equilíbrio, abertura, capacidade de encaminhar e resolver problemas, humildade, senso de respeito e de presença, e disposição para ouvir todos os segmentos técnicos, os discentes e docentes de graduação e de pós-graduação;
4) Constituir imediatamente, de forma democrática e transparente, uma comissão de estudo sobre o dimensionamento de pessoal com vistas à implantação da carga horária de 30 horas;
5) Resolver no curto prazo o funcionamento e a efetividade das tecnologias de comunicação e de informação com equipamentos e suporte técnico em todos os turnos;
6) Promover nos primeiros meses de gestão cursos de capacitação na área de Informática médica;
7) Priorizar a reestruturação e reforma, a partir de uma racionalidade estrutural e arquitetônica discutida com os profissionais da UFTM, da FUNEPU e da EBSERH (trabalhadores que passam a maior parte do tempo no complexo HC e, portanto, sentem na pele as reais necessidades), de banheiros, copas, refeitório, laboratórios e áreas de convivência e de conforto, entre outras, para o atendimento de todos os profissionais e discentes da graduação e da pós-graduação;
8) Encaminhar, a partir do diálogo aberto e sincero com todos os profissionais da saúde e discentes, a reorganização dos espaços do Complexo Hospitalar para uma maior eficiência nos fluxos de informações, de pessoas e de atendimentos;
9) Encaminhar ações de resolutividade dos problemas relacionados ao agendamento de cirurgias, combatendo o desperdício de dinheiro público por causa da demora, da repetição de exames e da perda de informações;
10) Estruturar os setores de compra, de licitação e de manutenção com equipamentos e programas de qualidade, com capacitação contínua e com mais profissionais;
11) Promover o Ensino, a Pesquisa e a Extensão a partir de uma política de diálogo e de apresentação de projetos junto ao MEC e à EBSERH para a realização de concursos e de contratos para docentes e técnicos;
12) Promover o Ensino a partir da construção e reconstrução de uma estrutura em que o tempo de atendimento esteja atrelado à qualidade do atendimento e ao aprendizado dos discentes de graduação e de pós-graduação;
13) Dar apoio a ações e iniciativas que projetem o Complexo Hospitalar como Centro de Excelência em Ensino e Pesquisa e Referência em Assistência;
14) Debater amplamente com a Comunidade Universitária o contrato com a EBSERH, propondo cláusulas contratuais e acordos que promovam melhores condições de trabalho para os profissionais da UFTM, da FUNEPU e da EBSERH, um atendimento de qualidade aos pacientes e suas famílias, e um Ensino de Excelência aos Discentes da graduação e da Pós-Graduação.

Prof. Dr. Fábio César da Fonseca - Candidato a Reitor
Profª Dra. Maria Laura Pinto Rodrigues - Candidata a Vice
CHAPA 1 - UFTM SOMOS TODOS NÓS

Uberaba, 19 de maio de 2014.

Debate entre as chapas concorrentes à reitoria da UFTM - Docente (12/05/2014)

Carta aos docentes

Caríssimos colegas docentes,

Estamos em pleno processo eleitoral, discutindo e apresentando projetos distintos para nossa Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Resumidamente, pretendemos apresentar neste texto nossas propostas direcionadas aos docentes.

Primeiramente, destacamos que dependemos, enquanto docentes, da UFTM para o pleno desenvolvimento de nossas carreiras acadêmicas. O processo de expansão alavancado pelo REUNI trouxe para nossa universidade um grande número de jovens e talentosos professores, com formações diversas e de áreas do conhecimento igualmente diversificadas.

Longe de observar esta característica como problemática, acreditamos que em nossa diversidade encontra-se o principal fiador de nosso futuro acadêmico e institucional. Toda grande universidade no mundo apresenta uma enorme heterogeneidade em suas áreas de conhecimento científico, propriedade fundamental na constituição de instituições universitárias de excelência. Esta variedade nas áreas, tradicionalmente classificadas em Exatas, Biológicas e Humanas, funciona como um ente fertilizador e indutor de novas e criativas pesquisas. Tal comunidade acadêmica complexa possibilita uma visão mais ampla e holística para seus docentes-pesquisadores, traço de originalidade que as universidades mais qualificadas nos rankings internacionais apresentam. Além desta abertura de horizontes, uma universidade forte em muitas áreas do conhecimento consegue legitimar com maior propriedade suas demandas frente à sociedade, ampliando sua visibilidade (já que responde por muitas demandas científicas), seu reconhecimento e suas possibilidades de conquistar recursos, seja em agências de fomento de pesquisas públicas, seja em acordos estabelecidos com empresas e instituições privadas e estatais.

O que visualizamos e sentimos hoje em nossa UFTM é uma relação confusa entre a gestão universitária e os seus docentes. Além dos memorandos enviados que não são respondidos, lidamos cotidianamente com uma precariedade de espaços, de estrutura tecnológica (do telefone ao acesso à internet) e de ausência de critérios claros, o que desestimula e deprime os docentes. Tais falhas são claramente resultantes de um planejamento institucional inadequado e de uma gestão ineficiente que discrimina áreas e que não consegue enxergar os elementos positivos que um verdadeiro reconhecimento de nossa diversidade traria para nossa instituição. Faltaram e faltam inteligência e generosidade nas decisões tomadas. Inteligência em considerar os ganhos que a valorização de todas as áreas do conhecimento traz para uma universidade; generosidade em compreender que os novos cursos e departamentos necessitam de atenção especial para responder ao que esperamos de uma grande UFTM.

Infelizmente, muitos de nossos colegas docentes desistiram de nossa instituição, por não encontrarem aqui nenhum estímulo e garantia para desenvolverem suas carreiras. Queremos oportunidades, e não assistencialismo ou privilégios! Tratados como “estrangeiros”, “novatos” e “filhos adotivos”, estamos perdendo uma rica geração de jovens e talentosos docentes que levam suas pesquisas para outras instituições por não obterem espaço e apoio de nossos atuais gestores. Assim, a UFTM se transforma em uma espécie de “sala de espera” ou lugar preparatório para concursos abertos em universidade que respeitam a diversidade do conhecimento e o potencial de seus professores, o maior patrimônio acadêmico de uma instituição de ensino e pesquisa. Estamos perdendo talentos! Temos que reverter esta orientação equivocada e converter nossa grande UFTM em um lugar atrativo e propício para o desenvolvimento da boa ciência.

Nossa chapa UFTM SOMOS TODOS NÓS respondeu, com muita atenção, a este apelo. Construímos diagnósticos e propostas de soluções de forma coletiva, colhendo contribuições e experiências em nossa diversidade de formações e atividades profissionais. Docentes, técnicos e discentes de todos os institutos e áreas do conhecimento foram ouvidos e respeitados no processo de formatação de nossas propostas. Simbolicamente, escolhemos a palavra DIVERSIDADE como um de nossos quatro eixos institucionais (Democracia, Transparência, Descentralização e Diversidade), e marcamos com três mãos nosso desejo de unir e apertar, como em um abraço, as três grandes áreas do conhecimento (Exatas, Biológicas e Humanas). Esta ação coletiva possibilitou conversas entre docentes formados em muitas universidades, como a UFTM/FMTM, UNIUBE, UFMG, UFV, USP, UNICAMP, UFU, UFOP, UnB, UFPE, UNESP, UFSC, UFRJ, UFF, UFMT, entre outras instituições de prestígio. Além da variada formação acadêmica do grupo que produziu nossas propostas, devemos considerar as experiências profissionais presentes, o que aumentou nossa capacidade de reconhecer bons e maus exemplos e caminhos a serem seguidos. Em síntese, nossas propostas não são vazias e retóricas: elas nasceram de experiências concretas vivenciadas por nosso diverso corpo docente!

Vamos normatizar e incentivar a contínua qualificação docente. Precisamos prestigiar a CPPD (Comissão Permanente de Pessoal Docente), discutindo e estabelecendo os critérios dos afastamentos para doutoramento e pós-doutorado. Tais critérios inexistem hoje na UFTM. Entendemos que, além da CPPD, os Institutos precisam participar ativamente deste debate. Defendemos que nossos docentes se sintam motivados e amparados pela instituição na construção de suas carreiras acadêmicas. Independente da área do conhecimento, todos nós ganhamos com isto.

Precisamos redimensionar o número de alunos por turma, em especial das disciplinas básicas. Defendemos critérios institucionais que garantam a qualidade e dignidade do ensino, experiência presente em outras instituições. Trata-se de um problema sério que vamos enfrentar estudando outros experimentos e ouvindo nossa comunidade.

Necessitamos de uma regulamentação de nossa jornada de trabalho, ação que reflita nossas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão administrativa. Novamente aqui tal discussão é inexistente. Outras universidades avançaram neste caminho e acreditamos que este problema precisa ser formalmente discutido. Esta é outra proposta de nossa chapa.

Sentimos falta de órgãos de apoio ao desenvolvimento de projetos e de captação de recursos, operações que devem ser facilitadas e estimuladas pela Pró-reitoria de Pesquisa. Não se trata apenas da divulgação de editais e processos, mas do estudo estratégico das áreas da UFTM e do planejamento de iniciativas permanentes para a atração de recursos públicos e privados destinados à pesquisa e ao ensino. Novamente, defendemos que nossa diversidade deve ser valorizada como um fator de ampliação de nossas capacidades de coletar e desenvolver projetos. A FUNEPU deve ser reorientada neste sentido.

Também defendemos que a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação se converta em um órgão indutor do desenvolvimento de programas de pós-graduação na UFTM. Esta deve ser a sua principal missão: trabalhar junto aos cursos e departamentos científicos na transformação de nossa universidade em um centro qualificado e diversificado de mestrados e doutorados. Seu Pró-reitor deve trabalhar juntos aos colegiados dos Institutos na promoção da pesquisa, saindo do gabinete e fazendo-se presente perante seus docentes.

Vamos agir com transparência e respeito às áreas de conhecimento na divisão de recursos e espaços para pesquisa. Propomos um reconhecimento das grandes áreas científicas, como trabalha a CAPES, institucionalizando Câmaras de Assessoramento (denominação utilizada pela FAPEMIG) ou Coordenações de Áreas (denominação utilizada pela FAPESP) que funcionem como comissões compostas por reconhecidos especialistas (internos e externos) com a responsabilidade de coordenar os processos de análise, julgamento, assessoramento e recomendação de pleitos apresentados (bolsas, recursos, projetos de pesquisa). Trata-se de um procedimento utilizado pelas principais agências de fomento de pesquisa brasileiras e universidades nacionais e internacionais. As grandes áreas do conhecimento serão avaliadas respeitando suas peculiaridades, e não através de uma régua única que privilegia poucos em detrimento de muitos jovens e talentosos docentes-pesquisadores. Defendemos critérios para uma competição acadêmica honesta. Esta formatação inexiste em nossa UFTM.

Defendemos a efetivação de uma Comissão de Biblioteca, ação que a atual gestão não conseguiu concretizar. Ela se faz necessária para discutir, dentro da diversidade acadêmica, os processos de aquisição, doação, permuta, desbaste e descarte do acervo. Tal Comissão, comum e essencial em todas as grandes universidades do mundo, é fundamental para traçar o perfil de nossa Biblioteca, projetando-a para nosso futuro. Vamos valorizar o trabalho dos técnicos e das bibliotecárias, estimulando qualificações. Vamos priorizar a assinatura de periódicos científicos digitais, uma tendência internacional, observando a diversidade das áreas de conhecimento.

Propomos a criação de uma Biblioteca Digital de Produção Intelectual que funcione como um sistema de gestão e disseminação da produção científica, acadêmica, técnica e artística gerada pelas pesquisas desenvolvidas na UFTM e pelos pesquisadores relacionados com nossa instituição. Através desta ferramenta comum em grandes universidades, podemos nos reconhecer – e nos orgulhar! – em nossa diversidade científica e divulgar o que estamos produzindo. Neste sentido também vamos reorientar a Editora da UFTM, valorizando-a e finalmente convertendo-a em uma editora universitária forte.

Nossas propostas foram construídas coletivamente, observando as diferenças de formações, de experiências profissionais e de áreas do conhecimento. Acreditamos na UFTM. Acreditamos que podemos fazer diferente e melhor.

Por uma UFTM que valorize seus docentes e que estimule suas carreiras!

Chapa 1 – UFTM SOMOS TODOS NÓS
Fábio Reitor e Laura Vice-reitora.

Uberaba, 12 de maio de 2014.

Debate entre as chapas concorrentes à reitoria da UFTM - Técnico-Administrativo (07/05/2014)